segunda-feira, 27 de setembro de 2010

aprendendo com a vida..


Me lembro de quando eu tinha meus 7/8 anos, talvez 9, nunca tive boa memória e isso sempre me ferra na vida, problemas com datas de aniversários, nomes, memorizar matéria da prova.. problemas muito corriqueiros comigo.

Mas voltando aos meus 7/8/9 anos, eu lembro que foi nessa época que aprendi a andar de bicicleta. Foi um tormento levantar e pegar no guidon de novo depois de tantas quedas, tombos, cortes, roxos e outros.

A saga começava de manhã, de tarde, no horário em que meu pai estivesse livre daquela amada e cansada prancheta. O roteiro era dar a volta na pracinha da esquina da minha casa, ele segurava a garupa e ia me guiando e de repente soltava, e ai tchibum!

E chorava e sempre perguntava porque ele não ficava segurando até eu me sentir segura de fato, a resposta era sempre a mesma, se eu continuar segurando você nunca vai aprender a andar. Depois de cair ele pedia pra eu me levantar e começar tudo de novo, afinal eu queria aprender não queria? Entre tombos e roxos ele falava, sem cair você não aprende.

Enquanto isso, eu chegava em casa toda esfarrapada e a minha mãe me olhava surtada, diga se de passagem, perguntando. QUE DIABOS É ISSO?? Não acredito que seu pai te deixou se machucar toda de novo..

Isso durou um belo tempo, nos momentos em que ele não podia me ensinar a minha vizinha, que era uma amor de pessoa, se prontificava a realizar a tarefa, mas era diferente.. Quando eu caía, ela ficava com pena e falava: 'acho melhor pararmos por hoje'.

Um belo dia, fingindo segurar mais uma vez a garupa da minha bicicleta, meu pai me viu andar com tanto desempenho que nem ele acreditou que aquilo estava acontecendo, mas no momento que eu virei pra trás e vi que ele já não mais segurava eu cai. O fato é que a gente se cansa de tanto cair, de tanto fracassar, e uma hora aprende.

E eu percebi que na verdade, no fundo no fundo, eu sabia andar, mas o medo de não ter mais a presença segura do meu pai me dava um medo grande de falhar.
Ele sempre foi assim, demonstrou muito cedo que para vencer, para crescer, é necessário dar a cara, se aventurar. As quedas, os fracassos, as dores, podem aparecer durante o caminho, mas um certeza é grande, no fim esse esforço vale muito a pena.

Hoje eu entendo o porque das quedas, de me deixar ir sozinha, de não me segurar durante o trajeto.. era preciso me dar liberdade de caminhar só, de aprender com os meus erros.

Na vida é preciso muita coragem para se arriscar, pra sofrer, vivenciar os momentos ruins, mas o que nos motiva é saber que depois disso podemos alcançar aquilo que desejamos de fato. O fracasso também fortifica.

E como 'mon papa' me disse uma vez: "aquele que tem medo de errar, nunca acerta"

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