segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Desencanto

Tenho pena de quem de desespera
No desengano de um amor perdido;
De quem da vida nada mais espera,
Porque foi por alguém desiludido...

Lamento os que se afundam na descrença,
E só querem a dor por companheira,
A cultivar uma saudade imensa,
Como se ela durasse a vida inteira.

O tempo há de passar a eles, coitados,
Sentirão certamente o desencanto
De ver, com o Tempo, a sua dor fugir.

E serão duas vezes desgraçados:
Pois, tendo embora padecido tanto,
Hão de, por fim, a própria dor trair!

Maria José Aranha de Rezende

Nenhum comentário: